Como já era de se esperar, uma simples procura por apartamento, comigo, teria que reservar alguma maluquice. Nessas andanças em busca de um novo canto para me aninhar, visitei vários imóveis. Entre eles, um me interessou bastante. Bom estado, preço em conta e perto do trabalho, entre outras características legais, além de ficar no mesmo prédio onde moro atualmente, que é muito bom.
Eis que pego algumas chaves na imobiliária. Visito três apês e deixo esse por último, para que eu pudesse, ao final das "inspeções", passar em casa, tomar uma água e um banho, antes de voltar à imobiliária e ir direto para o jornal. O dito cujo é exatamente abaixo do meu. Cumprimento o porteiro, pego o elevador e chego à porta. Estranhei ter uma guirlanda de Natal pendurada e um simpático tapetinho do lado de fora. "Ah, tem cada coisa, né... vai ver colocaram isso aqui pra recepcionar melhor os potenciais novos moradores", pensei.
Coloco a chave na fechadura e - surpresa! - ela não serve. Tento a segunda e a terceira, que eu tinha certeza de que se tratava da chave da caixinha de correio, mas não custa nada tentar... e nada! Comecei a desconfiar. Olhei bem a identificação no chaveiro, para ver se estava no lugar certo. Estava. Tentei mais uma vez, forcei outras... nada.
Nesse momento, já estava louca da vida. Subi pro meu apê e interfonei pro porteiro. "Oi, aqui é a Mary, do 606. O senhor sabe se tem alguém morando no 506?". O porteiro, sempre muito simpático, respondeu: "Ah, sim, dona Mary. Mora um casal. Dona Fulana e Seu Fulano, que trabalha na loja X". Estremeci. Liguei pra imobiliária, saltitando de raiva, e a corretora, com aquele ar de pessoa extremamente mocoronga, me diz que não sabe o que houve, "que devem ter alugado através de outra imobiliária sem consultá-los".
Como minha imaginação é foda, já fiquei fantasiando várias situações... pô, os caras são meus vizinhos! Imagina eles chegando e eu lá, tentando arrombar a porta deles com uma chave! Ou pior, vai que a chave funciona, eu entro e flagro eles em um momento íntimo ou, sei lá, o cara nu, saindo do banho (essa quem imaginou foi meu melhor amigo, com o perdão do plágio... heheh). Ou a guria, que talvez fosse uma paranóica de marca maior, chega da rua, me pega lá e sai correndo, pedindo ajuda! Até explicar que espuma não é leite, já teria ficado conhecida como a "invasora do prédio". Ainda bem que nada disso rolou...
Mais uma da série "coisas que só acontecem comigo".