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9 de dezembro de 2008

Parabéns, Mary!



"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas...
Mas nunca deterão a Primavera."

Te admiro muito, amiga!
Feliz aniversário!!

1 de dezembro de 2008

Eu mereço...

Como já era de se esperar, uma simples procura por apartamento, comigo, teria que reservar alguma maluquice. Nessas andanças em busca de um novo canto para me aninhar, visitei vários imóveis. Entre eles, um me interessou bastante. Bom estado, preço em conta e perto do trabalho, entre outras características legais, além de ficar no mesmo prédio onde moro atualmente, que é muito bom.

Eis que pego algumas chaves na imobiliária. Visito três apês e deixo esse por último, para que eu pudesse, ao final das "inspeções", passar em casa, tomar uma água e um banho, antes de voltar à imobiliária e ir direto para o jornal. O dito cujo é exatamente abaixo do meu. Cumprimento o porteiro, pego o elevador e chego à porta. Estranhei ter uma guirlanda de Natal pendurada e um simpático tapetinho do lado de fora. "Ah, tem cada coisa, né... vai ver colocaram isso aqui pra recepcionar melhor os potenciais novos moradores", pensei.

Coloco a chave na fechadura e - surpresa! - ela não serve. Tento a segunda e a terceira, que eu tinha certeza de que se tratava da chave da caixinha de correio, mas não custa nada tentar... e nada! Comecei a desconfiar. Olhei bem a identificação no chaveiro, para ver se estava no lugar certo. Estava. Tentei mais uma vez, forcei outras... nada.

Nesse momento, já estava louca da vida. Subi pro meu apê e interfonei pro porteiro. "Oi, aqui é a Mary, do 606. O senhor sabe se tem alguém morando no 506?". O porteiro, sempre muito simpático, respondeu: "Ah, sim, dona Mary. Mora um casal. Dona Fulana e Seu Fulano, que trabalha na loja X". Estremeci. Liguei pra imobiliária, saltitando de raiva, e a corretora, com aquele ar de pessoa extremamente mocoronga, me diz que não sabe o que houve, "que devem ter alugado através de outra imobiliária sem consultá-los".

Como minha imaginação é foda, já fiquei fantasiando várias situações... pô, os caras são meus vizinhos! Imagina eles chegando e eu lá, tentando arrombar a porta deles com uma chave! Ou pior, vai que a chave funciona, eu entro e flagro eles em um momento íntimo ou, sei lá, o cara nu, saindo do banho (essa quem imaginou foi meu melhor amigo, com o perdão do plágio... heheh). Ou a guria, que talvez fosse uma paranóica de marca maior, chega da rua, me pega lá e sai correndo, pedindo ajuda! Até explicar que espuma não é leite, já teria ficado conhecida como a "invasora do prédio". Ainda bem que nada disso rolou...

Mais uma da série "coisas que só acontecem comigo".

26 de novembro de 2008

Todos (literalmente) no mesmo barco

Acredito plenamente que estamos aqui pra evoluir. Independentemente de religiões, acho que deve existir uma razão pra estarmos aqui, uma razão pra esta passagem, por esta casa-maluca chamada Terra.

Infelizmente acho que a minoria das pessoas acredita nisso. Refiro-me àquelas pessoas que não estão nem aí, pro mundo, pros outros, pros seus. Estou falando daquelas pessoas que se sentem superiores a outras, que vivem competindo, aquelas pessoas para quem o dinheiro vem primeiro, depois os sentimentos. Só estão aí pra elas mesmas e pro que as convém.

Para muitos, o material é tudo. Pra que amigos? Pra que compaixão? Estufam o peito de orgulho e acham que viverão pra sempre, para contar vantagens e vitórias. Coitados...

Com olhos de piedade vejo os noticiários sobre a enxurrada em Santa Catarina. Cidades que estão com 80 por cento das casas em baixo da água. Quase cem mortos. O que resta neste momento para estas pessoas que perderam tudo? A amizade, a compaixão, uma esperança. Pobres e ricos debaixo da água.

Mais uma vez a natureza, Deus, ou seja lá qual for o ser superior em que se acredita, aparece pra mostrar que não, não somos indestrutíveis nem viveremos pra sempre. Ninguém vai levar nada daqui consigo. Mas está difícil de entender os recados...

Com tudo isso, quero dizer que, algum dia pode haver um momento na vida destas pessoas que elas não serão nada, além de mais um dentro do barco. Procuremos evoluir.

24 de novembro de 2008

Doce semi-ócio

Ando meio com tempo. É. Com tempo sobrando. Até o final do ano, minha jornada de trabalho será menor. Tenho três horas a mais no dia para fazer as coisas que eu sempre reclamava que não podia por falta de tempo. O problema todo é que é muito tentadora a possibilidade de fazer nada durante a manhã toda.

Não que eu fique deitada de pernas para o ar, literalmente. Aproveito para organizar minha vida virtual, dar uma ajeitada básica no apartamento, ouvir música, fazer as unhas durante a semana (as mulheres sabem a loucura que é ir à manicure num sábado), enfim. Um monte de coisas.

Só que, pensando enquanto caminhava, esta manhã, me dei conta de que preciso fazer render mais essa (pouco mais de uma) centena de horas-extras que estou compensando no trabalho. Acordei com cólica e fiz metade das coisas que poderia ter feito. Cansei o dobro com a caminhada e resolvi ficar em casa... só mais hoje... e não gostei. Como diria Nietzche, "quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde".

20 de novembro de 2008

Pois é. Tu vê!

O que ontem eu queria, hoje já não quero mais. Mudei de idéia. Mudei de opinião. Mudei minha vida. Parecia uma boa idéia, mas agora sei que não é a melhor escolha. Parecia uma boa pessoa, mas percebi que nem todos são como parecem.

Parecia que daria certo, mas não há como. Parecia completamente artificial, mas o tempo mostrou que era tudo verdade. Eu queria muito antes. Continuo querendo, mas não tanto. Deixa pra lá. Deixa pra depois.

Vivenciei hoje. Amanhã, não sei como será. Certas coisas nunca mudam. São fatos. Não existe destino ou coincidência. Há apenas ação e reação. E cafuné...

19 de novembro de 2008

Quando tudo dá errado...

... sempre surge a luz no fim do túnel. Pois é. Estava conversando com um amigo não muito chegado e ele resolveu desabafar. Sabe como é... tem dias em que a gente está tão pra baixo, que quando alguém nos dá atenção e demonstra interesse, logo vamos falando sobre as coisas que povoam nossa mente. O que ele disse não vem ao caso, mas, depois de ouvir tudo o que ele tinha pra dizer, comecei a apontar algumas coisas que eu julgava boas em toda a situação e, no final, chegamos à conclusão de que nem tudo estava tão ruim assim.

Depois, usando como exemplo coisas que tinham acontecido na minha vida, tentei animá-lo, atestando que a vida nada mais é do que um amontoado de fases. A ironia disso tudo é que eu mesma estava em crise. Achando que nada andava, que em todos os sentidos tudo parecia se mover pra trás.

Só depois disso, me toquei que, como sempre aconteceu, haveria de surgir a solução. Aí, desencanei. E não é que o caminho parece estar clareando? Incrível como alternativas vão aparecendo sem que a gente se dê conta. Otimista que sou, já acho que problemas quase não existem mais. São só questões. Basta elaborar as respostas.

Vou usando minha pseudo-auto-ajuda e aproveitando cada pequena coisa boa em meio ao tornado, já que, como diz uma mulher a quem costumo chamar de "mãe", quem perde é que perde (eu juro que faz sentido... heheh).

17 de novembro de 2008

Monólogo

Era 1998 e eu cursava a oitava série do ensino fundamental. Morava no interior do RS e estudava em um colégio estadual, portanto, não havia aquele fervor de escolher o que ia se cursar na faculdade. A maioria dos colegas estava feliz por estar conseguindo ir para o ensino médio. A internet ainda não estava tão disponível como hoje. Eram poucos os professores que questionavam sobre a nossa escolha profissional.


Tive sorte de ter uma mãe que sempre me incentivou a estudar e sempre fez questão de dizer que não íamos morar lá pro resto da vida, ela queria nos proporcionar um amanhã melhor do que simplesmente ser dona-de-casa e cuidar das crianças. E eu, sempre tive essa sede de conhecer, de aprender, de querer sair de lá. Neste ano, minha irmã se mudou pra região metropolitana e começou a faculdade. Como sempre gostei de escrever, já tinha certo o que eu queria fazer: Jornalismo. Era o meu sonho. Me imaginava repórter, me imaginava escrevendo matérias, colunas, usar uma roupa despojada em baile de gala, ser diferente, estar por dentro de tudo que acontece, escrever e ser feliz. Este era meu objetivo.


Em 2001 nos mudamos para São Leopoldo no final do ano. Levei bomba em matemática e tive que repetir o ano em 2002, já morando aqui. Fazia cursinho pré-vestibular à noite. Foi aí que comecei a ter mais contato com os cursos, com as universidades disponíveis, com mais informação. Pesquisei vários cursos e vi que a minha praia era mesmo a Comunicação. Não sei por que, nesta época, comecei a ter receio do Jornalismo. Todo mundo me dizia que eu ganharia muito pouco; que teria que trabalhar final de semana; que ia ter que ser muito persistente... e eu comecei a esmorecer. O sonho de me tornar uma Martha Medeiros ficou pra trás.


Em 2003 fiz vestibular pra Relações Públicas. Achava o curso muito legal. Eu sempre fui uma guria super extrovertida e trabalhar com públicos me entusiasmava. Infelizmente, fui descobrindo que a realidade era diferente. As empresas contratavam estagiários de RP não para a área de comunicação, e sim, para a área comercial. A maioria das ofertas eram assim. Fiz meu primeiro estágio na área de MKT de uma empresa bem conhecida aqui na região. Eu atendia o 0800 da empresa. Não fazia nada da minha área além de ouvir as reclamações dos clientes sem nada poder fazer. Era muito frustrante, decidi sair.


Depois disso tive uma péssima experiência em outra empresa onde trabalhei na área comercial. Tinha uma gerente carrasca que fazia qualquer coisa para comer o rim das meninas do setor. Adorava deixar as colaboradoras em situações humilhantes ou desagradáveis. Não sei como agüentei aqueles 9 meses sem mandar ela praquele lugar. Mas num dia explodi e me mandei. Acho que naquela época não estava tão em alta o tal assédio moral. Se estivesse, coitada dela.

Como dizem por aí, logo depois da tempestade vem sol, e eu tive meu dia de sorte: fui chamada pra estagiar em uma empresa que não era muito conhecida, uma organização pequena, mas que me apaixonei logo na entrevista. Um diretor simpático, sincero, um local de trabalho bonito e organizado e pessoas jovens trabalhando. Gol! A vaga era minha. Tanto me apaixonei que já estou lá há 3 anos e meio. Tive muita sorte, pois uma empresa como a que trabalho, existem poucas por aí.


Nesta época eu já estava de saco cheio da tal RP. Desestimulada, troquei de curso e de universidade. Fui pro Marketing. Um curso tecnólogo de 2 anos e meio e o canudo mais próximo das minhas mãos. Eu era só empolgação. Mas, não sei se por sorte ou por azar, eu faço parte daquele grupo de pessoas que a Mary escreveu ali em baixo... Aquelas pessoas que não se contentam com a rotina, aquelas pessoas que não sabem se acostumar com o que não as faz feliz, aquelas pessoas que não tem medo de mudar, mudar pra tentar, mudar pra tentar fazer sempre melhor.


O curso é legal, mas não quero ser uma formada frustrada. Esse comer-se-vivos do mundo dos negócios e administração, não é muito a minha praia. Sei que tenho total capacidade para trabalhar nesta área, mas é uma questão de opção. Lá em 1998 eu queria escrever e não estudar contabilidade e matemática empresarial. Dez anos depois, quem escreve hoje este desabafo é uma Raquel mais experiente, mais madura, com conhecimento do mercado de trabalho, alguém que já levou alguns tombos e que não cozinha na primeira fervura. Mas aquela empolgação da adolescência continua, sempre forte aqui dentro do meu peito, vibrante, me fazendo nunca estagnar e sempre recomeçar quando preciso.


Então, faltando menos da metade do curso pra estar formada em Gestão de Marketing, eu decidi: vou fazer Publicidade e Propaganda. Já estou com a papelada pra encaminhar minha transferência praquela universidade que me recebeu há anos atrás, inexperiente. Como querem que as pessoas escolham o que vão fazer pro resto da vida, a maior parte do seu dia, aos 17 anos? Impossível! Sortudos de alguns que já nascem com seu talento à flor-da-pele. Eu não fui pra muito longe, mas demorei estes anos todos pra me conhecer melhor e ter certeza que, agora é pra valer.